quarta-feira, julho 29, 2009

Ponto de exclamação

Neste blog, usa-se. Com conta, peso e medida, como os outros sinais de pontuação; procurando acertar na dose certa de cada um deles. Só não os uso em escrita académica, que deve ser mais séria, mais neutra, não transmitir emoções.
Eliminar os pontos de exclamação, tal como usá-los em demasia, parece-me um disparate.
Se escrever "Filha, vem cá." não transmito a urgência, a veemência, o tom com que a frase é proferida. "Filha, vem cá!" já tem todo esse ênfase. Ler "Viva o ponto de exclamação." soa a sensaboria debitada sem expressão; muito diferente de "Viva o ponto de exclamação!".

sábado, julho 25, 2009

E assim foi

Os abraços, os sorrisos, as mãos dadas... somos uns terríveis mimalhos, essa é que é a (deliciosa) verdade!

quinta-feira, julho 23, 2009

Recado particular

Fazes-me falta. Também me sinto sozinha; mais do que isso: desasada. Ao regressar, abraças-me, abraço-te, sorris-me, sorrio-te, e tudo passa.

quinta-feira, julho 09, 2009

Números de telefone

Quando acedo aos números do meu telefone, o primeiro que me aparece é o do meu pai. Daqui a poucos dias vai ser desligado. Mas não o vou apagar da memória do meu telefone.

Coisas fofas

Chega ao pé da minha cadeira, salta cá para cima, lambe-me furiosamente e depois instala-se ao meu lado. Adormece quando lhe faço festas na pontinha macia das orelhas. Quando se farta, salta para o chão e vai à vida dele. Daí a pouco regressará, com o seu cheiro bom a cãozinho saudável e bem tratado.

quarta-feira, julho 08, 2009

Gripe, escolas e medidas preventivas

Parece que as Associações de Pais querem adiar o início do ano lectivo, por causa da gripe A. Não vejo qual a vantagem, a menos que seja adiado "sine die", até que toda a gente seja vacinada contra essa nova estirpe da doença, ou que esta, por milagre, se extinga. A principal medida preventiva, indicada no site da DGS, é a correcta e frequente lavagem das mãos. Nas escolas faltam, de modo geral, instalações sanitárias dignas desse nome, limpas e dotadas de lavatórios com sabonete líquido e toalhetes de papel para limpar as mãos. Não deveria ser isso o que as Associações de Pais deviam estar a reclamar?

segunda-feira, julho 06, 2009

Por entre as arrumações

Estas arrumações forçadas estão a obrigar-me a mexer em coisas que já não via há muito. Nas roupas que guardei da minha filha, por exemplo, e nos brinquedos dela. Encontrei as suas primeiras botinhas, lindas, verdes escuras com um comboiozinho bordado do lado, tão pequeninas... Ela pô-las ao lado das suas actuais sapatilhas 37/38, e ficou a olhar.
Vejo os vestidinhos, as roupinhas da cama de grades... Vem-me à lembrança um cheirinho a produtos de bebé, a toalhetes e cremes, aos ouvidos o palrar constante dela, os seus risos, os barulhos que os brinquedos faziam. Que saudades!
Estas arrumações são um percurso nostálgico por vários passados. Estou a chegar ao limite do que consigo aguentar - felizmente, amanhã fujo daqui.

quinta-feira, julho 02, 2009

E o mais difícil...

... é retomar a vida normal.

Orgulhos

Falo agora com o meu pai como não falava há muito. Falo pensando, e tenho a certeza de que, lá onde estiver, ele me ouve, como não me conseguia ouvir quando ainda cá estava. E, sem dúvida, está neste momento orgulhoso da sua neta mais velha - a minha filha. Tanto como eu, pelo menos; ou mais ainda, porque, com a sua sabedoria de muitos anos, a sua visão é diferente (não mais neutra, porque de avô babado).
Viu-a, no dia do funeral, a cuidar da mãe, com um carinho extremo. A limpar-lhe lágrimas teimosas que insistiam, de vez em quando, em rolar pela cara abaixo. A abraçá-la e dar-lhe a mão. A enchê-la de beijos. A desistir dos planos que já tinha feito para ficar ao seu lado. De lá de onde está, o avô orgulhou-se dela e sorriu, com aquele sorriso bonito que tantas vezes dirigiu a essa neta, a primeira que segurou nos braços, com infinita ternura.
Está, de certeza, agora, a sorrir de novo, com o sorriso que tantas vezes lhe vi quando eu tinha boas notas, porque ela foi, de novo, a melhor aluna da turma, proposta para o prémio de mérito da escola.
Se fosses vivo, pai, eu ia contar-te estas coisas todas, dando-te a mão, dando-te um beijo. Tu ias ter muita dificuldade em manifestar que tinhas compreendido e que estavas feliz. Agora já não há essas barreiras entre nós; só me custa não te poder beijar nem acariciar a tua mão...