sábado, dezembro 24, 2011

Feliz Natal!

Em crise, com problemas, sozinho até, é possível ter um Natal Feliz. Se nos lembrarmos o que o Natal é: a comemoração da vinda ao mundo de um Menino, nascido sem nada, num estábulo de Belém, que foi o Salvador do Mundo. Acredite-se ou não em Cristo, acredite-se, ao menos, na esperança. Na esperança de que tudo pode mudar, de que do mau pode vir o bom, de que mais do que prendas e mesa farta importa o amor, a solidariedade, a amizade, o bem que nos fazem mas sobretudo o que podemos fazer aos outros.

Feliz Natal, pois - antes de mais, no coração de cada um de nós.

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Regresso ao passado

Há anos (desde a tese) que não voltava a ficar acordada até às 3 da manhã, completamente embrenhada num trabalho urgente. Não tinha a mínima saudade. A coisa boa é que gostei, muito, de fazer este trabalho. Mas com este ritmo não me dou, de todo. Nunca aguentaria, agora, o ritmo doido que então aguentei. Já lá vão mais de 6 anos...

sábado, dezembro 10, 2011

À tua espera

Estás num avião, algures sobre o mar, de regresso a casa. Eu espero-te. Com os braços abertos para te receber e encostar ao coração, e ficar encostada ao teu, nos teus braços. Ou seja, em casa, ambos. 

Trabalhos de casa

Cada cêntimo que pago à minha empregrada é bem investido. A cada vez que ela vai de férias tenho aguda consciência disso.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Brrr...

Está frio! Além do nevoeiro que os meus joelhos detectaram, mal me levantei da cama.

E, ao som de música clássica, trabalho sossegadamente. Sem pressas nem stress. Como gosto.

terça-feira, novembro 01, 2011

Todos os Santos

O dia de lembrar os nossos mortos é amanhã, mas na verdade sempre foi a 1 de Novembro que o fiz e é ao feriado de hoje que associo a ida ao cemitério. Este ano não estou perto, não posso lá ir. Apesar de não ser nada dada a estes rituais, que cumpria por causa dos meus pais, este ano custa-me lá não ir. Não que me lembre mais dos meus pais e avós por isso; mas porque já há muito tempo que não vou ao cemitério e gosto de ter as coisas em ordem. É tão feio uma campa abandonada... Não que os abandone, nunca: é no meu coração que os comemoro, sempre. E nas saudades que nunca cessam.

quarta-feira, outubro 19, 2011

Ressabiado

Sempre que aparece o Pedro Marques Lopes a comentar na TV, vejo um homem ressabiado, despeitado, cheio de inveja por não ter sido chamado para assessor ou colaborador ou qualquer outro lugar no governo, e que portanto resolve dizer mal de tudo o que seja decidido pelo governo.

sexta-feira, outubro 14, 2011

Pulhas

Detesto pulhas. Homenzinhos em bicos de pés prontos a lixar os outros e a encher o papo de prosápia. Gentinha sem estatura moral sempre à espreita do momento certo para se evidenciarem - mas têm de se pôr de bicos de pés, porque de outra forma ninguém dá por eles.

Nos últimos dias, tenho-me deparado com uma data deles. E delas, que a pulhice não é característica de um só sexo. Se bem que acho que surge mais nos homens. Provavelmente, nos que continuam com complexos de tamanhos de pilas.

Recibos verdes electrónicos - dúvida

Quem inventou os recibos verdes electrónicos, que o próprio tem de imprimir, poupou uns tostões ao Estado (boa ideia). Mas tem, por certo, uma comissão por cada cartucho de tinta para impressora que se compra, não tem? 

Senhor Roubado

(foto tirada daqui)

É assim que Portugal, e em especial os funcionários públicos e os pensionistas, se devem sentir hoje: roubados. Ninguém quer, com certeza, castigo tão pesado para que conduziu a esta situação de roubo como o sofrido pelo ladrão que roubou a igreja de Odivelas algures no século XVII. Mas meter quem gastou tão mal gasto o dinheiro público atrás das grades e o fim de certas mordomias injustificadas, já não seria mal. Porque senão sinto-me ainda mais roubada pelo meu patrão, o Estado português.

Será que nas pensões de reforma que são cortadas se incluem também as dos nossos esforçados e cansados deputados e afins, que após meia dúzia de terríveis anos a sentar os traseiros na Assembleia da República têm direito a reforma?

sexta-feira, outubro 07, 2011

...

A minha filha saiu há pouco de casa. Vai jantar fora com os amigos. Com um ar de total autonomia, de quem acha normalíssimo sair à sexta à noite.
De repente... sinto que o meu ninho está a ficar vazio! Está a deixar de ser preciso, o passarito já sabe voar, cada vez mais alto e para mais longe. É bom, claro, muito bom; assim como é muito bom eu sabê-la ajuizada e não me importar minimamente com estas saídas, que nem sequer são para regressar a casa a desoras. Mas, ao mesmo tempo, é tão estranho...

quarta-feira, setembro 28, 2011

Horror (2)

Os caloiros e as "troupes" praxistas não estão apenas em Coimbra. Encontrei-os hoje, invadindo o metro, em Lisboa. Acho que me perseguem, com os mesmos cânticos imbecis, a mesma atitude de carneirada acéfala e boçal.
Note-se que nunca esta que aqui escreve foi anti-praxe. Mas nada disto é praxe, é apenas disparate e barulho.

Solução

O que eu preciso é de eliminar o stress da minha vida. De lhe imprimir um ritmo mais lento e mais consentâneo com a velocidade humana, que não é a das máquinas.
Parece simples, assim enunciado. É mais complicado do que desejaria, neste mundo cada vez mais preso à tortura do imediato, do rápido, do rapidíssimo.

terça-feira, setembro 27, 2011

Horror

A época mais estúpida do ano em Coimbra não é a da Queima, mas esta, de início do ano lectivo, com a chegada dos caloiros. Durante todo o dia, uns palermas armados em praxistas obrigam outros palermas acabados de chegar à Universidade a urrar obscenidades o mais alto possível, infernizando a vida de quem tem de passar pelos sítios por onde eles circulam. Sinto vergonha quando passo por eles. Apetece-me esbofeteá-los a todos. E desaparecer dali para fora, do meio do barulho e da confusão que me enchem a cabeça demasiado cheia por um dia repleto de coisas a fazer e, pior, em que pensar.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Dos dias cansados

Muito, muito cansada. Os neurónios já entraram em greve e o corpo pede, ele todo, para nada fazer.
Mas ainda tenho de fazer uma série de coisas antes de poder ir dormir... Ou se calhar não: duvido que seja capaz de fazer o que quer que seja de produtivo agora.

domingo, setembro 25, 2011

O mar

Dou-me conta da falta que o mar me faz quando volto a ele. Quando ouço o doce marulhar das ondas, quando lhe sinto o cheiro e me perco na sua imensidão. Tenho de ir mais vezes ver o mar. De preferência ao final da tarde, quando a praia for toda minha e possa ficar a ver o sol mergulhar nele, lá bem longe, para onde os meus pensamentos se escapam e pacificam.

Mimos de cão

Apanha-me sentada no sofá e zás, lá vem ele encostar-se a mim, o mais possível, de preferência colocando o focinhito em cima da perna, do braço, do colo. Depois, é vê-lo regalado e preguiçoso, não tardando a dar um suspiro que só pode significar felicidade. 
É tão bom ter um cãozinho feliz a dormitar ao meu lado! Também eu fico com vontade de suspirar assim, feliz, com o miminho do meu cão.

domingo, setembro 11, 2011

11 de Setembro de 2001

Acho que toda a gente se lembra do que estava a fazer quando soube do ataque às torres do WTC. Eu lembro-me, não apenas com rigor mas como se tudo se tivesse passado "au ralenti": a incredulidade de todos diante da televisão, as imagens das torres a arder e depois a desmoronarem-se como se fossem um baralho de cartas. A minha filha tinha 6 anos e recorda-se também desse dia que mudou o mundo. Não há que esquecer, nunca.

quinta-feira, setembro 08, 2011

O video

Foi este video que provocou o riso. Acho que todas as mães e filhos se reconhecerão um pouco nele.

Novas tecnologias

Eu no escritório, ela no quarto. Manda-me um video pelo computador. Eu rio-me e respondo-lhe. Ouvimos os risos uma da outra ao vivo.

Saudades

De ouvir uma série de músicas do Leonard Cohen que não tenho em CD. Estou a ouvi-las todas no YouTube, e a dar conta de como me andavam a fazer falta.

sábado, setembro 03, 2011

De regresso

... daquelas que foram, decerto, as melhores férias da minha vida. Das nossas vidas.
Acabámos de chegar e já tenho saudades...

segunda-feira, julho 18, 2011

Um simples papel...

... e sorrisos rasgam-se nas nossas caras.
... e o início de uma nova etapa se perspectiva, cada vez mais real, embora ainda distante.

quinta-feira, julho 14, 2011

(suspiro)

Sem o meu pardalito por perto, sinto que me falta uma parte de mim. Sim, ela tem 16 anos, ela já não é uma menina pequena, ela vai para a praia com os amigos e até já sai à noite, é cada vez mais independente. Mas continuamos ligadas por uma enorme cumplicidade e uma mimalhice sem fim, que ambas adoramos. E não é só a mim que faz falta.  Há pouco, o L. perguntava-me quanto tempo ela ia estar com o pai e os avós. "Duas semanas", respondi. "Tanto tempo???" foi a exclamação. Porque nós somos três, por muito bem que nos saiba estarmos apenas os dois e termos mais tempo para ambos como casal.

Boys & Jobs

Passos Coelho anunciou o fim das nomeações para cargos públicos de amigos e familiares, sujeitando o acesso a tais cargos a concursos com regras em que o critério é, antes de mais, o da competência. Aplaudo até as mãos doerem. Só tenho pena que essa decisão não tenha sido tomada antes e abrangido já a nomeação do novo Director da Biblioteca Nacional.

terça-feira, julho 12, 2011

Telefones

Nas agendas do telefone e do telemóvel continuam números de pessoas a quem já não posso voltar a falar. De vivos com quem tenha deixado de me dar, por uma razão ou outra, não me custa nada apagar os números. Dos mortos... não consigo. Se o fizer parece que me morrem mais um pouco, que a memória deles se poderia ir perdendo à medida que cada dígito fosse apagado. E eu não lhes quero perder a memória. Nunca.

sexta-feira, junho 03, 2011

Finalmente

Hoje é a última sexta-feira terrível para mim. Hoje, quando chegar a casa exausta e bem tarde, vou poder dizer "para a semana já não há mais". Até que enfim!

Hoje também termina a campanha eleitoral - finalmente! Estamos em campanha desde que o governo caiu. Não houve outdoors quase nenhuns e duvido que alguém lhes tenha sentido a falta. Eu não senti. E do resto - comícios, arruadas, debates, comentários sobre comentários - fiz por pouco ver, apenas o que realmente me interessava. No domingo vou votar, em plena consciência, para, antes de mais, retirar do governo quem lá tem estado e levou o país a este estado. Vou votar PSD. Não porque o partido me convença, não porque Passos Coelho me pareça o melhor primeiro-ministro para Portugal, mas porque é a única saída viável para que o PS saia do poder e algo possa mudar neste país. É um voto de censura ao PS e um voto de confiança no PSD. E espero, muito, que mais façam como eu, apesar de o PSD ser um saco de gatos. Por Portugal.

segunda-feira, abril 18, 2011

Precisa-se

... de secretária(o). Para arrumar infinitos papéis, organizar tma imensa biblioteca (inclui limpar os livros todos cuidadosamente), responder a e-mails, tratar de tarefas burocráticas, fazer pesquisas bibliográficas e, de um modo geral, tudo aquilo que não me apetecer fazer. Também pode cozinhar no tempo que sobrar, e arrumar a roupa nos armários. 
Oferece-se: o meu eterno agradecimento, autorização para ler os muitos livros cá de casa, passear o cão, partilhar as refeições, eventualmente dormida à borla. Mais não posso, que o nosso governo já me veio mexer no meu bolso e, segundo consta, o FMI ainda vai sacar-me mais.

segunda-feira, abril 11, 2011

De facto...

... se eu for à rua e vir um porco a voar, ou um cão a andar de bicicleta, já não me vou espantar. Como, se o Fernando Nobre é o cabeça de lista dos deputados do PSD por Lisboa, com a promessa de ser o presidente da Assembleia da República?
Ai, Portugal, Portugal...

Afinal ainda há gente lúcida e corajosa no PS (réstea de esperança?)

domingo, abril 10, 2011

O que eu penso, dito melhor do que eu diria

Haverá mesmo 33% de malucos em Portugal?

Dir-me-á, caro leitor – e estou certo de que esta é a pergunta que assombra metade dos portugueses –, que ninguém tem a certeza de que Pedro Passos Coelho venha a ser melhor primeiro-ministro do que Sócrates. É verdade. Ninguém pode ter a certeza. Sem dúvida que eu preferia que o PSD tivesse outro líder. Sem dúvida que Passos e a sua ‘entourage’ estão longe de entusiasmar quem quer que seja. Sem dúvida que os erros cometidos nas últimas semanas não auguram nada de bom. Mas pense comigo, caro leitor. Imagine que vai construir uma casa nova e só tem dois empreiteiros disponíveis: um deles é construtor há muitos anos, e deixou desabar todas as casas onde pôs as mãos; o outro tem pinta de poder ser tão mau quanto ele, mas nunca construiu casa alguma. A qual deles entregaria você a obra?

Depois de mais uns pedaços do dito congresso

Comeram ou beberam algumas coisas antes de falar, de certeza. Nenhum parece estar normal. Dizem umas coisas estranhíssimas. O Vitorino conta anedotas sem piada. O Costa ainda parece mais um sapo do que de costume. O Jaime Gama fala das pessoas substituíveis e do PS insubstituível. E eu não entendo nada de nada, a não ser que eles não estão no seu estado normal de pessoas minimamente inteligentes.

(E eu também não estou muito bem, acordada em lugar de dormir, à espera que sejam horas de ir buscar a filha à festa no bar-discoteca a que foi, em estreia absoluta... Começou a era das saídas à noite, socorro!!!)

Promessa depois de ver pedaços daquela coisa que parece ser o congresso do PS

Se o PS voltar a ganhar eleições, vou procurar trabalho no estrangeiro. Agarramos nas trouxinhas, na filha e no cão e saímos de um país de loucos.
Quando a Ana Gomes é a única pessoa que faz críticas no congresso, quando ela parece ser a única voz sensata numa espécie de liturgia de beatificação do bem-aventurado e tão esforçado Sócrates, não há mais nada a fazer. Se eu fizesse parte do grupo de quem decide a ajuda a Portugal e visse isto, não dava um tostão ao país, a não ser para internar esta gente toda num manicómio (e deitar a chave fora). Tenho vergonha do meu país.

sábado, abril 09, 2011

Quando penso que não pode haver nada mais estranho...

... há sempre alguma coisa neste jardim à beira-mar plantado que me volta a deixar de boca aberta de espanto. Vi há pouco na tv o António Vitorino (ou o boneco do Contra-Informação por ele), rouco, a dar o seu apoio ao Zé e a louvar a sua clarividência!
Antes de entrarem no congresso os delegados foram obrigados a comer alguns cogumelos de propriedades esquisitas ou a fumar coisas estranhas?
Clarividência? Clarividência?????? Vão mas é todos pró %W#&/&!

sexta-feira, abril 08, 2011

Sozinha ao serão

Acho que se podia fazer um filme sobre eu, sozinha em casa. Detestando estar sozinha, detestando estar aqui, longe dos meus amores, daquele que é agora o meu lar. Detestando as razões que me obrigam a isso. Dá-me sempre para a asneira. Ou como chocolates que nem uma perdida, ou não como nada. Ou leio sem parar para não pensar e adormeço tardíssimo, mesmo tendo de me levantar cedo no dia seguinte. Ou trabalho que nem louca (ou faço de conta). Ou, simplesmente, me dá para a neura e vejo porcarias na tv, ou fico a ver todos os blogs, todos os sites - enfim, tudo menos ter vontade de lançar mãos às arrumações necessárias e a pôr em ordem este sítio onde já não me sinto em casa, sobretudo quando aqui estou só.
É estranho como a nossa relação com uma casa que é nossa há quase 20 anos pode mudar tanto. Do meu lar, doce lar, passou a ser uma espécie de armazém, de coisas e de memórias. Passou a ser ela o habitáculo de fantasmas vários, que não me apetece enfrentar a cada vez que cá venho. Aqui as saudades dos meus pais são bem mais vivas. Aqui o meu passado lembra mais. Aqui eu passei os mais difíceis tempos da minha vida - também os mais doces, mas essa parte não consegue sobrepor-se às outras.
E assim escrevo, como há muito não escrevo neste sítio. E apetecia-me escrever mais, muito mais - não que precise de novo de um saco de boxe para esmurrar, mas há coisas que esmurraria de bom grado. Só que não o consigo fazer. Em lugar disso, enrosco-me nos braços do meu amor, no meu porto de abrigo; desabafo com ele. Mas andam cá dentro coisas a querer disparar cá para fora; mais ainda quando não o tenho ao meu lado - e o telefone ou a internet são pobres substitutos da carícia, do calor humano, do sorriso, da mão que se aperta, do beijo. É tramado (quase tanto quanto maravilhoso) amar alguém. Precisa-se não só do outro, mas também do nós que formamos.
Tanta coisa já aqui escrita... e nada, ou quase nada do que me apetecia dizer. Fico-me pela vontade. Não é hora para falar no resto. Nem sequer na frustração de viver num país que amo e que odeio ao mesmo tempo, em ambos os casos por ser como é, mas não pelas mesmas razões, obviamente.

sábado, março 26, 2011

quarta-feira, março 23, 2011

Alívio

Sócrates demitiu-se. A Assembleia da República não disse "amen" ao PEC decidido com Bruxelas à revelia do Parlamento e do Presidente. Sinto um enorme alívio, porque a sensação de que o carrossel estava desgovernado e a rodar como louco era demasiada. Mas tenho verdadeiro medo do que aí possa vir. Do que não nos foi dito sobre a verdadeira situação do país. Das alternativas ao PS (ou dentro do próprio PS). Do que vai ser preciso fazer para tirar Portugal do imenso buraco. Mas talvez tudo isto seja mais fácil de aguentar com outras pessoas ao leme, sobre as quais não se sinta tanta desconfiança. Porque esse é um dos grandes problemas que eu acho que se estavam a colocar (eu sentia-o de forma bem forte): a falta de confiança no primeiro-ministro e no seu governo. Não se pode viver assim, menos ainda em tempo de tão grave crise.

terça-feira, março 22, 2011

Helpdaughter

Quem é que resolve as parvoíces informáticas da mãe, quem é? Em dois minutos...
Mas ainda há algumas coisas em que sou  eu a ensiná-la. E esta dinâmica é muito divertida (além de dar imenso jeito).



domingo, março 13, 2011

Sobre a geração "à rasca"

Detesto a forma como alguns comentadores / bloggers / gente, em geral instaladas nos seus empregos e confortáveis nos seus salários, olham de alto para as reivindicações da "geração parva" que hoje se manifestou. E ao lado de quem tive vontade, várias vezes, de estar - não por pertencer a ela, mas por conhecer demasiada gente que nela se insere.
Eles têm razões mais do que muitas em se queixar. Têm, antes de mais, uma razão de que nem sequer estarão conscientes: o péssimo ensino que o Estado lhes deu, com programas que parecem feitos, em muitos casos, para levar os alunos a odiar essas matérias (assim se passa, a meu ver, com os programas de Português e História, por exemplo). 
Têm razão em se queixar de não terem aprendido com professores competentes e exigentes, que não os deixassem passar sem estarem dotados dos conhecimentos básicos e, como agora se diz, das competências necessárias para saberem ler, escrever e interpretar um texto com clareza, na sua própria língua.
Têm razão em se queixar de terem deparado com um sistema de ensino que os canaliza para o ensino superior, para o qual muitos não estão preparados nem têm qualquer vocação. Deu-se cabo do ensino técnico, está-se a procurar recuperar o ensino profissional, mas entretanto foram várias as gerações que não tiveram acesso a esse ensino médio. Que não impede ninguém (como o anterior ensino das escolas industriais e comerciais também não fazia) de, mais tarde, enveredarem pela continuação de estudos.
Têm razão em se queixar de terem entrado em cursos que se mantêm abertos, com um elevado número de vagas, sem haver mercado de trabalho que os possa absorver. Na minha área, por exemplo, a História, há faculdades públicas que mantêm um "numerus clausus" de 60 alunos por ano. 60 alunos para quê? Para irem engrossar os licenciados sem emprego, obviamente. Ainda por cima, porque muitos desse alunos são maus ou medíocres.
Têm razão em se queixar por não ter sido exigido deles excelência, por não lhes terem ensinado a dar o melhor e a exigir o melhor.
E os melhores, que os há também, e que são verdadeiramente muito bons, têm razão em se queixar da falta de empregos à altura das habilitações de que são detentores. Conheço uma série deles assim. Inteligentes, óptimos alunos, cheios de vontade de estudar, de aprender, de dar o seu melhor no trabalho que puderem ter - e afastados desse trabalho, por uma série de razões. Não podem ser professores universitários, por exemplo, porque há muito que as vagas estão bloqueadas. Nas Faculdades de Letras (volto a elas, conheço-as melhor), por exemplo, os professores mais novos rondam os 40 anos. Os alunos que delas saem, se gostam da investigação, têm de recorrer aos mestrados, doutoramentos, pós-docs, tudo isso dependente de bolsas que podem ou não ser concedidas, de projectos que podem ou não ser aprovados, não tendo tido sequer direitos a assistência na saúde durante uma data de anos (acho que agora já têm), recebendo 12 meses por ano e não os 14 habituais, e sabendo que o final de cada uma das etapas trilhadas é uma vitória, mas também uma aflição face ao que vem a seguir. E assim aceitam vários empregos (precários, claro está), adiam decisões de constituir família, deparam-se com grandes dificuldades para conseguirem arranjar casa.
E, quando não querem a investigação, mas apenas o trabalho nas instituições onde se prestam os serviços que eles aprenderam a fazer, não têm acesso a eles. Por exemplo, temos bibliotecas e arquivos com dezenas de vagas de quadro por preencher. E temos dezenas de jovens licenciados ou pós-graduados nessas áreas que o mais que conseguem são estágios não remunerados ou pouco remunerados, porque não se podem abrir concursos para preencher essas ditas vagas por serem lugares da função pública e estão proibidos os ingressos nela desde há anos - a não ser, claro está, para áreas em que interesse meter mais uns "boys". Ora a maioria dos arquivos e bibliotecas existentes em Portugal dependem do Estado, por isso não se peça a esta gente para se tornar empresário por conta própria, ou algo do género.
No que toca à habitação, que já referi, e à dificuldade em comprarem casa, dizem muitos dos que sobranceiramente olham para estes jovens que não as comprem. Pois, não as comprem - mas até agora, até à crise que leva à dificuldade de acesso ao crédito à habitação, essa era a solução mais viável e vantajosa. Porque as rendas de casa são caríssimas, para contrabalançar aquelas, vindas de longa data, que deviam ter sido revistas como deve ser há muito. E por isso estes jovens têm razão para se queixar quando vêem casas na cidade a rendas antigas baratíssimas, casas na cidade a cair aos pedaços, dando mais uma machadada no património arquitectónico e na nossa "facies" urbana, e se vêem obrigados a ir para os subúrbios, para casas piores do que estas poderiam ser e que custam muito, mas mesmo muito mais.
Têm razão para se queixar da forma como muitas casas de construção municipal são distribuídas, havendo logo uma lista de amigos e "boys" para as ocupar.
E por aqui me fico, ou continuo a escrever durante horas. Termino apenas com uma última razão de queixa: têm os jovens, ainda, mais razão para se queixar quando o nosso inefável e espero que em breve no desemprego 1º ministro responde, face às reivindicações das gerações mais novas ,que as compreende muito bem, e por isso despenalizou o aborto e criou o casamento entre homossexuais. Irra, que tanto cinismo, autismo e imbecilidade não se suportam!

segunda-feira, março 07, 2011

Hereafter


Dizem que não é um grande filme. Nem todos os filmes têm de ser obras-primas. Mas gostei imenso deste, da sensibilidade e da humanidade com que Clint Eastwood filma e conta esta história, algo inquietante, mas também apaziguadora. Além disso, a música (do próprio Eastwood) é linda, melancólica, suave.

domingo, fevereiro 20, 2011

Observações relevantes para o futuro da humanidade

O Daniel de Oliveira de barba parece o capitão Haddock. Só lhe falta o cachimbo e o boné de marinheiro.

sábado, fevereiro 19, 2011

Tarde pacífica

Sozinha em casa. O L. saiu, a miúda está com uma amiga. Ponho mails em ordem, olhando pelo canto do olho o "Orgulho e Preconceito" que está a dar na tv. Ao meu lado, no sofá, sobre a manta, dorme um cãozinho castanho e peludo, respirando serenamente. Lá fora chove. Sinto-me tranquila, neste sossego caseiro. Só queria pôr sobre as pernas a manta que o meu companheiro ocupa - vou ter de ir buscar outra para ficar quentinha e ainda mais confortável.
Preciso de dias assim, pacíficos, sossegados.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

1º passo

Fica aqui a marca, a assinalar o dia. Tinha de ser 5, 15 ou 25.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011


Respondendo a uma pergunta que volta e meia me fazes, neste dia que convencionaram ser dos namorados (como se não namorássemos todos os dias, até quando vamos fazer compras ao supermercado...).Porque te instalaste, "feito posseiro, dentro do meu coração".

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Quando um filho recém-nascido nos agarra um dedo...

... agarra-nos, por inteiro, para sempre. É assim que estou há 16 anos - presa, desde que a minha filha querida agarrou, pela primeira vez, um dedo meu com a sua pequenina mão. Uma mão de longos dedos, anunciando a mão esguia e comprida que hoje tem. Uma mão que nunca mais me largou, e que eu nunca mais larguei. E que espero poder continuar a agarrar durante muitos e muitos anos, tantos quantos a vida me conceda.
Dezasseis anos - tantos! Como é que passou tanto tempo, se me parece que foi ainda ontem que pela primeira vez a vi, tão pequenina? Para onde foi a minha menininha trapalhona a falar, que dizia "folhulha" e "consego" e chamava ao leite "mumu"? Onde páram os tempos de ler histórias para adormecer, de brincar com bonecas e de dar aulas a todos os seus brinquedos?
Em vez de uma menina pequena, tenho agora uma mulherzinha, digna do meu orgulho e da minha confiança. Tenho saudades desses outros tempos - mas por nada do mundo trocava estes de agora. Que são tempos de cumplicidade, de companheirismo, e sempre, sempre, de carradas de mimos. Quem disse que não é divertido ter uma filha adolescente? É, sim.
Muitos parabéns, meu amor. Mil beijos da Mãe (que logo, logo chega a casa e prepara a tua comida predilecta,  mais o bolo preferido em torno do qual todos te desejaremos felicidades, para este e todos os teus outros  aniversário, muitos e felizes, assim o espero e desejo como nada mais desejo na vida).

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Neste dia...



Neste dia, em 2010, muito antes do que era esperada, uma menina nasceu. E contra todas as probabilidades, como prova de que os milagres existem, sobreviveu e tem vencido todos os obstáculos que se previa vir a ter de defrontar. Hoje faz um ano, e acordou de novo com um sorriso lindo de bebé feliz e saudável. Muitos parabéns, querida V.!

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Eu queria...

... ter um dia sem stress, sem coisas para ontem; bem tento - mas não consigo.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Tous les garçons et les filles...



Tous les garçons et les filles de mon âge
se promènent dans la rue deux par deux
tous les garçoons et les filles de mon âge
savent bien ce que c'est d'être heureux


et les yeux dans les yeux et la main dans la main
ils s'en vont amoureux sans peur du lendemain
oui mais moi, je vais seule par les rues, l'âme en peine
oui mais moi, je vais seule, car personne ne m'aime


mes jours comme mes nuits
sont en tous points pareils
sans joies et pleins d'ennuis
personne ne murmure "je t'aime" à mon oreille


tous les garçons et les filles de mon âge
font ensemble des projets d'avenir
tous les garçons et les filles de mon âge
savent très bien ce qu'aimer veut dire


et les yeux dans les yeux et la main dans la main
ils s'en vont amoureux sans peur du lendemain
oui mais moi, je vais seule par les rues, l'âme en peine
oui mais moi, je vais seule, car personne ne m'aime


mes jours comme mes nuits
sont en tous points pareils
sans joies et pleins d'ennuis
oh! quand donc pour moi brillera le soleil?


comme les garçons et les filles de mon âge
connaîtrais-je bientôt ce qu'est l'amour?
comme les garçons et les filles de mon âge
je me demande quand viendra le jour


où les yeux dans ses yeux et la main dans sa main
j'aurai le coeur heureux sans peur du lendemain
le jour où je n'aurai plus du tout l'âme en peine
le jour où moi aussi j'aurai quelqu'un qui m'aime.

A voz é de Françoise Hardy; não sei de quem é a letra, mas ilustra tão bem o pensar de um adolescente... Pela minha parte, revejo inteiramente nela o que muitas vezes senti, nessa época.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Calinadas jornalísticas

Há sempre uma pérola jornalística algures à nossa espera, para podermos arregalar os olhos de espanto. Hoje, decerto dia de sorte, dei com duas, a propósito da beatificação de João Paulo II. 
Anuncia o Sapo Notícias, num dos seus títulos: Bispo de Leiria-Fátima diz que beatificação reconhece santidade como “figura inesquecível” (o que queria dizer, como se percebe pela leitura do parágrafo seguinte, é que a beatificação reconhece a santidade de uma "figura inesquecível"; o que é ligeiramente diferente). Noutra notícia, diz-nos que "o corpo do Papa João Paulo II vai ser beatificado no próximo dia 1 de maio". O corpo. Não João Paulo II. Passará a haver, portanto, um Beato Corpo de João Paulo II.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Beethoven

Já quase tinha esquecido como é bela a música de Beethoven. Em especial as suas sonatas para piano, que me acompanham neste longo serão de trabalho. Se a mais conhecida é a Sonata ao Luar, a minha predilecta é a Patética. Aqui ficam partes de ambas, para as poder ouvir sem ter de as procurar no Youtube (quando, como é o caso agora, não tenho os cds à mão).


quarta-feira, janeiro 12, 2011

Ganha mais porque trabalha mais

Ora aqui está o argumento que vou usar para exigir o pagamento de todas as horas extraordinárias que tenho oferecido graciosamente à minha entidade patronal. Se não tiverem dinheiro para isso, podem-me pagar em dispensas de serviço; pelas minhas contas, assim por alto, devia estar de férias (palavra maravilhosa!) durante os próximos 2 ou 3 anos.

Vela acesa, velando

Velando por um menino lindo e muito, muito doente. Nem sei se peça a Deus que o cure, ou que o leve quando ele dormir, já que não há remédio para os seus males e o que se pode esperar é que vá sofrendo mais no pouco tempo em que estiver por cá. Que seja livre do seu corpinho doente num Além azul, embalado por essa outra Mãe que a todos acolhe e ampara.

(Servirá tal ideia de consolo a uma mãe terrena que corre o risco de perder o menino que, embora doente, é  o seu filho muito querido?)

terça-feira, janeiro 11, 2011

Ideias estúpidas

Em vez de uma pizza, mandei vir uma pasta. Uma perfeita porcaria, que me vai deixar agoniada para o resto do serão.

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Palhaçadas

Agora é que a campanha presidencial vai ficar linda: já temos o nosso Tiririca.
Sempre que penso que não se pode descer mais, há quem mostre que é possível.
Lembrete para as próximas semanas: fugir da TV e não ouvir nem ler notícias relacionadas com a campanha. Ou com a coisa nojenta que estão a fazer passar por isso.

Cabras e cabrões

(foto daqui)

Um dia, talvez venha a perceber porque é que há tantas cabras e cabrões neste mundo. No caso, em especial, no mundo académico, que parece concentrar uma percentagem mais elevada do que o normal desses ditos cujos que só parecem estar satisfeitos quando passam rasteiras, atropelam ou sacaneiam os outros.
Claro que uma teoria sobre o assunto já tenho: frustrações e invejas. Frustrações de quem não vive para mais nada, e muitas frustrações de cama. Invejas da inteligência e do sucesso alheio. Gente mal f..., pois claro, e que se consola tentando f... os outros. Gente mal formada, também, que se deixa cegar pelo seu estatuto de Senhor-Professor-Doutor-com-todas-as-letras, como se o título académico transformasse qualquer pessoa num ser superior. A superioridade que todos devíamos almejar é a bondade, a generosidade, a disponibilidade para os outros. Não a sobranceria, o olhar de alto, o exigir vassalagens, o achar-se melhor do que os outros. Um doutoramento faz muita coisa, mas não torna ninguém melhor; no entanto, parece conseguir tornar várias pessoas piores.
Cabras e cabrões - há-os em demasia no nosso mundo académico. Esperemos que se vão matando uns aos outros, com o veneno da sua própria peçonha. Metem-me nojo.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Se eu tivesse tempo

... escreveria muitas coisas. 

Sobre o par de orelhas que me apareceu na cadeira em frente, aqui no escritório, mostrando um ocupante pouco habitual que, entretanto, achou melhor vir sentar-se ao meu lado e tentar apanhar o guardanapo de papel sujo do pão com queijo fresco do meu lanche e que agora tem a cabeça apoiada sobre o tampo da secretária, sentindo eu a sua respiração tranquila no meu peito. Poderia escrever horas a fio sobre a delícia que é partilhar a vida com um cão (coisa que sempre sonhei, mas que só agora tenho a possibilidade de fazer). Sobre as brincadeiras, o carinho, a comunicação espantosa que se desenvolve entre o P. e nós, formando uma verdadeira família de que ele é, sem a menor dúvida, membro de pleno direito.

Escreveria sobre saudades dos tempos em que a blogosfera era diferente; tempos que já lá vão e não regressarão, como não regressará a minha vontade de participar nela da forma activa que fiz. 

Escreveria, em especial, sobre questões de saúde com que me tenho defrontado nestes últimos anos, problemas que nem sabia que existiam e que bem gostava de continuar a ignorar. Nada de grave, apenas de sério. E sobre os quais falta em Portugal informação,  associações de doentes, médicos atentos e sensíveis. Mas, para falar disso, acho que precisava de ser de novo uma total anónima aqui, e não o sou. Por outro lado, talvez isso levasse a que este blog tivesse alguma utilidade.

Seja como for, não tenho tempo. Só o que roubo ao trabalho que não me apetece fazer, mas que aos poucos toma forma. E que, depois de uma paragem de uma semana, até gosto de ler. Menos mau.

Vamos a ele. Mais uma pequena presa para caçar - nada da gazela doutoral, apenas uma perdizita que corre, corre, e eu tenho de correr para a abocanhar. Problema: não me apetece correr. Estou farta de corridas. Preciso de viver sem stress, com o tempo a correr a um ritmo humano, e não à velocidade infernal que hoje lhe imprimimos.

Propósito do ano: reduzir o stress da minha vida.